segunda-feira, 15 de março de 2010

Emputecida com a católica reacionária.

Semana passada me deliciei com a exposição de palestras dadas pelas mais variadas pessoas na FDR: tanto homens quanto mulheres, tanto professores (as) quanto secretários (as) de governo,  tanto religiosos (as) quanto ativistas. O tema central era direito e feminismo. Foi explorada a relação existente entre esses dois institutos e outros aspectos correlacionados.

Uma das muitas palestras foi ministrada por uma senhora religiosa que se propunha a falar sobre a Igreja Católica e a posição da mulher nesta. Ela falou da ajuda que recebeu da entidade e como a sua experiência religiosa a ajudou a perceber o sistema de dominação masculina existente na sociedade que era reproduzido também em sua casa. Situação que resolveu mudar com simples gestos como não lavar os pratos de seus irmãos quando sua mãe mandava: por que eles mesmos não poderiam fazê-lo? Falou também da discordância com certas posições da Igreja e o porquê.

Após as palestras, a palavra era dada aos ouvintes para que estes pudessem elaborar perguntas aos palestrantes. Até então eu havia percebido alguns rostos conhecidos e até tinha simpatia por alguns deles, inclusive pelo da reacionária que muito me causou revolta depois.

Pois pronto. Após essa exposição, a reacionária mostrou a que veio: pentelhar com suas idéias de 1000 antes de Cristo. Chegou a dizer que a mulher não deveria se dizer católica se não concorda com tudo que a Igreja prega. Ah, por favor. Jura? Então não existe um catolicozinho nesse mundo.

Pior foi quando abriram as perguntas após a palestra sobre aborto. Aí que lascou mesmo. Eu tenho até preguiça de colocar aqui tudo... Eu respeito quem pense que não se deve legalizar ou sequer descriminalizar, mas querer ridicularizar quem é a favor é DEMAIS. E o discurso é sempre o mesmo: há ali uma vida, um ser que quer viver e não pode ser punido pelas escolhas da mãe. Não há vida AINDA até algumas semanas de gestação e isso é um FATO MÉDICO-CIENTÍFICO. O que existe é uma potencialidade. Mas potência por potência, os espermatozóides são também e se masturbar não é genocídio, certo?

Além disso, me digam uma coisa: o fato de você querer ou deixar de querer que fulana não tire o feto que tem na barriga dela vai impedir que ela arranque ele vagina abaixo? Não. É uma decisão pessoal. E não vejo porque a gente não deva proteger as pessoas quando elas tomarem essa decisão. Até porque se sabe que é uma das maiores causas de morte entre as mulheres e porquê? Porque há NENHUMA assistência médica pública e quem se fode mais? As pobres lascadas, claro. Quem tem dinheiro pra ir numa clínica fancy de aborto tá tranquila e quem não?

Enfim, é um tema cansativo e que requer muitas e muitas linhas a mais pra se abordar toda a problemática envolvida. Só quero deixar claro que sou a favor sim da LEGALIZAÇÃO do aborto. E digo isso pensando nas mulheres marginalizadas que acabam por morrer em becos e pocilgas por terem feito uma escolha legítima.

Fato é que a loirinha enjoada era um porre e fazia 50.000 perguntas merdas depois das exposições. E eu não tenho ** nem tempo para isso. Saía antes de cansar minha beleza com o discurso primitivo dela.

2 comentários:

  1. Eu tinha comentado aqui, blogspot feio -.-
    Vou tentar repetir:

    Agreed!

    Só me perdi no último parágrafo, sobre quem seria essa tal loirinha enjoada o.O

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  2. Fato. Religião, pra quem não tem, é o fim da picada. O fato é que tem muita gente inteligente religiosa por ai falando o que para os seculares parece ser absurdo! Um aborto custa em média 1800 reais. Quem tem dinheiro está garantido, quem não tem arrisca a vida.

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